CEO da Divinut leva protagonismo da noz-pecã brasileira à China em agenda estratégica no setor global

Divinut, principal exportadora nacional de noz-pecã, amplia presença internacional e mira mercado asiático

 

O CEO e fundador da Divinut, Edson Ortiz, embarca neste mês de maio para a China com uma missão clara: consolidar o protagonismo brasileiro no mercado global de noz-pecã e abrir novas frentes comerciais no leste asiático. A agenda inclui participação em dois dos principais encontros internacionais do setor, reforçando o posicionamento da empresa como principal player nacional na exportação do produto.

O primeiro compromisso será em Macau, durante o congresso do International Nut & Dried Fruit Council (INC), onde Ortiz será painelista. “Vou falar em nome da América Latina e puxar bastante para o Brasil. Vai ser um momento bem relevante para mostrar o nosso potencial produtivo”, afirma. Na sequência, o executivo segue para Xangai, onde participa de uma feira internacional voltada ao mercado de alimentos.

A movimentação ocorre em um momento estratégico para o setor. O Brasil vive a expectativa de uma supersafra em 2026, com produção que pode ultrapassar 9 mil toneladas — a maior da história. Hoje, o país já ocupa a quarta posição no ranking global de produção de noz-pecã, sendo que cerca de 80% desse volume está concentrado no Rio Grande do Sul, onde a cultura encontrou condições ideais de desenvolvimento.

Além do cenário produtivo favorável, a recente abertura do mercado chinês para a noz-pecã descascada brasileira, formalizada em 2024, amplia as oportunidades. “Agora teremos matéria-prima e mercado aberto. Isso cria uma combinação importante para avançar na China continental”, projeta Ortiz.

Com sede em Cachoeira do Sul (RS), a Divinut tem atuação majoritariamente voltada à exportação, com presença consolidada na Europa — especialmente via Espanha —, América do Norte, Oriente Médio e norte da África. No mercado interno, atende grandes empresas como Outback, Zaffari, Ritter e Cacau Show.

A trajetória internacional da empresa ganhou força justamente em um momento de crise. Durante a pandemia de Covid-19, diante de estoques elevados e retração do consumo interno, a Divinut decidiu acelerar sua inserção no mercado externo. “Foi um movimento de sobrevivência. Precisávamos abrir mercados e arriscamos tudo. Hoje, isso se tornou o principal motor do nosso crescimento”, relembra o CEO.

Esse crescimento também se reflete em investimentos. A empresa está finalizando um aporte de R$ 10 milhões para ampliar sua capacidade produtiva, especialmente voltada à noz-pecã descascada para exportação. O número de descascadores saltou de dois para doze, permitindo uma capacidade de processamento de até 11 mil toneladas — acima da produção nacional estimada para 2026.

Outro diferencial da Divinut está na forte conexão com o campo. A empresa atua em parceria com cerca de cinco mil produtores, com pomares distribuídos em 76% dos municípios gaúchos, além de presença em Santa Catarina, Paraná e São Paulo. O modelo permite diversificação de renda e integração com outras atividades agropecuárias.

Paralelamente, a companhia investe em inovação, incluindo o desenvolvimento de mudas com potencial para produção de trufas — um produto de alto valor agregado que cresce em simbiose com as nogueiras. A iniciativa, em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), abre novas perspectivas econômicas para o setor.

Com a agenda internacional na China, a Divinut reforça sua estratégia de expansão global, apostando na combinação de escala produtiva, inovação e abertura de mercados para posicionar a noz-pecã brasileira em um novo patamar no comércio mundial.